sábado, 13 de setembro de 2014

"Meu corpo, meus direitos", respeito à integridade física e psicológica.


O artista japonês Hikaru Cho criou uma série de imagens de arte corporal exclusivamente para a nova campanha da Anistia Internacional: "My Body My Rights" .

Hikaru Cho e a Anistia criaram quatro vídeos sobre o tema dos direitos sexuais e reprodutivos das pessoas. Cada um deles é sobre o direito humano básico de tomar as próprias decisões sobre saúde, corpo e vida sexual.

Postando aqui o vídeo "You have the right to live free from rape and sexual violence", que pode ser traduzido como "Você tem o direito de viver livre de estupro e violência sexual".




sábado, 8 de março de 2014

8 de Março de 2014




Neste 8 de Março não fizemos cortejo. O som dos 
tambores não cortou o ar marcando o enlutamento que 
nos toma em cada performance, pois que assumimos em nós a dor de
tantas (e tantas) mulheres que tombaram e tombam,
caladas para sempre pelo jugo daquele de quem se esperaria proteção.
Nosso silêncio não contaminou o espaço como o fez 
por alguma vezes, de forma tão intensa crua e dolorida.
O sino da catedral não conjugou conosco, não ainda.
Se ainda fosse por não haver mais a necessidade de ações como esta...

quinta-feira, 6 de março de 2014

"Hoje recebi flores"


Depoimento de um homem que sabe como nós, mulheres, vivemos.



Sou homem.

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma Beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil.
Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira.
Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito."


Independente de sermos homens ou mulheres, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.Não minimize uma dor que você não conhece.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Carta de uma mãe que teve sua filha sexualmente abusada

Da Folha Social: http://www.folhasocial.com/2013/11/carta-de-uma-mae-que-teve-sua-filha.html

"O abuso é um meio do patriarcado se manter, um lembrete de que somos mulheres e de que há uma lógica de fracos e fortes na qual nós seríamos o elo fraco. Existe um modo macho de viver sem medo e atuar no mundo sabendo com seu corpo o silêncio das meninas e mulheres. E por isso essa carta: romper o silêncio é nossa maior arma, e arma não contra casos isolados, mas contra todo o patriarcado. Abuso sexual é um problema político e a resposta tem que ser igualmente política. Precisamos combater o agressor não como um caso individual e nem a representação de algo, mas o que ele é, porque ele é em si todo o patriarcado. E o patriarcado tem que ser combatido."


Pintura de Alexandra Levasseur 
http://www.blckdmnds.com/o-protagonismo-feminino-nas-pinturas-de-alexandra-levasseur/



domingo, 19 de maio de 2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Seminário: "Lugar de Mulher é na Luta"


8 de Março de 2013, sexta feira, 14 hs

Local:  Plenarinho da Assembléia Legislativa

            Rua Dr. Jorge da Luz Fontes, 310


Programação:

14h - Abertura: saudações iniciais das entidades promotoras.

14h30: Palestra 1 : Projeto 5760 com Ilze Korting

15h: Palestra 2 : Políticas Afirmativas e cotas de participação da 


mulher/ Casa Catarina

15h30: Palestra 3 : Nova Historia da Mulher no Brasil - Joana Pedro

Coquetel de lançamento de dois livros [Nova Historia da Mulher no


Brasil e Mulher Negra na Primeira Pessoa] 


Haverá também exposições de painéis artísticos do Projeto 5760.

5760: "A Espera de Uma Resposta"

Recortes da exposição e cortejo que se deram em 25/11/2012,
domingo, por ocasião do evento "16 Dias de Ativismo Contra a
Violência à Mulher", promovido pela Coordenadoria Municipal de 
Politicas Públicas para Mulheres e o COMDIM, da Prefeitura 
Municipal de Florianópolis.

Neste dia o Projeto 5760 realizou, no Casarão das Rendeiras, 

uma exposição de fotos, banners e outros materiais referentes 
à sua trajetória na busca de uma maior visibilidade do sofrimento 
da mulher submetida à violência, a fim de sensibilizar a 
sociedade da necessidade de medidas efetivas para 
coibí-la e/ou minimizar seus efeitos.

Houve também a performance de Juliana Schiavo 
"De Olhos 
Fechados",na Casa Das Maquinas - Lagoa, e o cortejo  
"A Espera de Uma Resposta", no qual nos posicionamos 
com relação ao descaso dos três poderes com a questão 
da Casa Abrigo para mulheres em situação 
de violência doméstica .


sábado, 24 de novembro de 2012

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

5760: até quando?


5760 - A Espera da Resposta

Domingo, 25/11/2012 - Casa das Máquinas - Lagoa

Ano após ano o descaso segue. Não temos ainda a casa abrigo, e, pior, a de SJosé foi fechada.Nos colocaremos diante dos três poderes, a espera de uma resposta.

O Projeto 5760 irá participar da Campanha 16 Dias de Ativismo - pelo Fim da Violência Contra as Mulheres com as seguintes atividades:

- 10.00 a 18.00hs: Exposição na Casa das Rendeiras - Retrospectiva 5760


- 15.00hs Performance com Juliana Schiavo - "De Olhos Fechados"


- 15.30hs: Cortejo "À Espera da Resposta"

5760 está nos 16 Dias de Ativismo Contra a Violência

http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/semas/?pagina=notpagina&menu&noti=7621

Confira a programação.... Participe.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Convite a Performar

No dia 25 de Novembro,um domingo, acontecerá a performance "5760 - À Espera da Resposta", desta vez no bairro da Lagoa da Conceição.
Mais uma vez convidamos a quem puder e quiser que venha estar conosco, novamente  cobrando das autoridades a Casa Abrigo para mulheres em situação de violência.
A quem queira participar, pedimos apenas que venha cheia(o) de boa vontade e movida(o) pela indignação de saber da covarde violência contra as mulheres.
Mande seu e-mail para projeto5760@gmail.com.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

5760, a rosa

5760 vezes

5760 dores, 5760 vezes mulheres, pessoas como você e eu,
deixaram de sorrir,
expressar-se livremente, olhar o outro nos olhos,

Frente a frente.
5760 vezes por dia mulheres sofreram e sofrem, apenas por terem nascido
sob o estigma
de serem mulheres.
5760 tapas, socos, empurrões...
Que às vezes evoluem para facas, punhais, tiros, asfixia.
5760 vezes ignoradas
Por serem mulheres.

Até quando?

sexta-feira, 12 de outubro de 2012


Patriarcalismo de merda!


Mulheres machistas geralmente superam os homens!

Bonita ou feia
Patricinha ou Hippie
Sustentada ou vagabunda
Drogada ou careta
Atirada ou submissa
Ciumenta ou desinteressada
Possessiva ou liberal
Indecisa ou autoritária
Interesseira ou rica
“Papa anjo” ou “papa rico”
“Maria gasolina” ou dona da Ferrari
Alternativa ou cosmopolita
“Bicho grilo” ou certinha
Moderna ou ultrapassada
Antenada ou “viajona”
Sensual ou “sem sal”
Esquelética ou gorda
Siliconada ou “tábua”
Vaidosa ou descuidada
Arrogante ou burra.

Quando gosta de futebol serve como amiga,
Quando não gosta, serve como chata;

Quando não bebe é anti-social,
Demais, é bêbada;

Quando sorri, tá interessada,
Quando não, tá deprimida;
E quando vira pra olhar a bunda de um homem, cio!

Quando transa na primeira noite é fácil,
Depois de 10 dias, tava com outro;

Soltinha na cama é experiente,
Tranqüila é tradicional;

Quando transa com quem tá afim é puta,
Quando escolhe com que vai transar é estranha;

Quando fica com muitos homens é rotativa,
Quando com poucos, é lésbica;

Quando não consegue viver bem sozinha é dependente,
Quando consegue é solteirona;

Quando fala de romance, quer casar,
Quando não tá nem aí, é fria;

Quando tem “bom modo” merece carinho, 
Quando não,
"Trepação" e maus tratos.


Flôr Kepah
poetisa
07/2011.

("Quando se reprime o direito da mulher, fisico, moral, social e psicologicamente, a violência aparece, mesmo que implícita, através do poder patriarcal exercido por alguns homens. Trata-se de um tipo de violência também, mesmo que, não seja visível aos olhos coletivos. Individualmente a vítima sofre, dessa dor incalculável, quando submetida às diversas injustiças e dizeres sociais. Toda a mulher tem o direito a sua liberdade de expressão, seja ela qual for, desde que, respeite o espaço do outro. É a busca pelo espaço individual, feminino, do corpo, da mente e dos anseios, não se trata de feminismo. O feminismo luta contra o opressor, no caso o homem, aqui, neste poema, a luta é em favor do respeito aos direitos de todas as mulheres, independente de suas escolhas e caminhos".  (Flôr Kepah))

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A violência e suas faces

O que há de mais perverso na violência é que, por vezes faz-se com que a vítima se torne responsável por sua própria desdita. Isto se observa sobremaneira no caso da mulher, que "provoca o estuprador com suas roupas", ou "irrita o marido com sua lamúrias", levando-os a perda do controle.
E isto é vitimizar a vítima, e como é praticado...

Por outro lado, encarar a violência dói, pois é como encarar um grande abismo que nos atrai porque tem, no fundo, um espelho que devolve aquilo que nos é mais próprio - nossos monstros interiores.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

6ª Primavera dos Museus - Resumo da fala de Ilze Korting

"Museu é uma ideia"  -  Renilton Roberto da Silva  (museólogo, coordenador da mesa-redonda)

Fala de Ilze, relativa à violência contra à mulher e suas pesquisas para o Projeto 5760 - transcritas segundo a ótica de Tatiartes

 
"5760 é um número fantasia, foi escolhido a partir de uma estimativa de 2008, do possível número de mulheres que sofreria qualquer tipo de violência no Brasil no espaço de um dia.Naturalmente este número não correspondia à realidade nem nesta época, hoje menos ainda.
Num país como o nosso a realidade é bem pior, os númers, muito maiores.
Atuamente estima-se em 12 a quantidade de mulheres mortas de forma violenta no país, por dia. Morrem por serem mulheres, porque de alguma forma desagradaram a seus companheiros ou a alguém.
A violência contra a mulher é negada porque a mulher é negada.Porque não é vista como ser humano. Não é socorrida numa discussão com seu companheiro, porque "em briga de marido e mulher não se mete a colher".
As pesquisas que fiz para a nossa última performance introduziram um novo termo e uma nova dimensão à violência contra a mulher: femininicídio - morte do feminino. Assassínio de crianças, adolescentes,bebês do sexo feminino, mulhesres e idosas.
Santa Catarina tem, proporcionalmente a seu número de habitentes, um índice alarmente de violência à mulheres.
E muito poucas casas-abrigo. Temos 3. Eram 4, e foi fechada a de São José.
E a casa-abrigo pode representar a sobrevivência de uma mulher em situação de violência doméstica.
Quando se fala em violência contra a mulher há que falar também em todas as violências que a sociedade está cometendo contra as camadas da sociedade que deveria proteger.coisas e acontecimentos.
Temos de falar também da negligência de todos nós, que algumas vezes nos omitimos em relação a todas estas coisas, e permitimos que ocorram.
Silenciamos diante do que vemos, ou não vemos o que deveríamos. Desta forma, somos também culpados."
Ilze Korting



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Amor doente



Pensei que era você, mas não
Você foi à ilusão que eu alimentei
Na esperança de amar na escuridão

Andei de mãos dadas
Acendi o cigarro, mas a fumaça cinza irritou os meus olhos

Tentei não ver, fugi de conclusões
Aceitei você do jeito que você é

Rompi com a minha resistência, quebrei padrões
Mas nada serviu pra você acreditar em quem eu sou.

Fugi algumas vezes
Na solidão senti saudade
Você implorou por perdão e voltei

Acreditei em você
Construí sonhos
Você os destruiu... L e n t a m e n te...

Em cada ato impensável
Em cada palavra maldita
Em todas as idas e vindas
E finalmente na agressão.
Que me fez triste,
Mas forte o bastante para ter dignidade para ir e nunca mais voltar.


Flôr Kepah
poetisa
01/06/2010.
ps.: nós da equipe 5760 agora temos mais uma colaboradora, semanalmente a poetisa Flôr Kepah irá trazer um de seus textos para nós. Obrigada, Flôr, por vir lutar junto de nós.